sexta-feira, 22 de outubro de 2010


Eu sou uma pessoa que tem dó.
Todos os dias, naquela rotina maquinável, quando depois do café eu ando naquela rua já muito conhecida pela memória, me encontro com um pobre coitado, sujo que exala um mal cheiro terrível. Sempre naquela mesma calçada , quieto, descuidado, pobre e só, acompanhado por um cachorro, que as vezes não aguenta aquele odor e sai pra tirar o cheiro de suas narinas caninas.É desumano (sempre será essa a nossa primeira ideia, quando relativo a um caso como esse), mais da mesma forma que nasce esse sentimento chamado dó, relativo á aquele homem, me nasce pela maioria das pessoas, mesmo que elas sejam limpas, cheirosas e tenham muitos recursos materias. Tenho dó dos que amam platônicamente, dó dos que rejeitam o amor doente, dó dos homens que foram traídos, dó das mulheres que traíram, dó das crianças sem sonhos, dó das que sonham mais nunca poderão realizar a façanha , dó . . . simplismente dó , simplesmente tristeza, simplesmente um espírito bondoso que paira sobre a cabeça das pessoas.

força da rotina

Eu tenho uma rotina.
tenho caminhos conhecidos trilhados maquinalmente pela minha mente já habituada.
Hoje em dia é difícil alguém que não tenha uma rotina, não tenha hábitos, e que de alguma forma perca o controle da situação. O meu dia é estranho, (nosso dia é o que nós somos).Meu dia é lento, entendiante e perplexo, e as vezes eu me pergunto o motivo pelo qual as pessoas como eu temem sair de suas rotinas, temem perder os dias metódicos. acordar,tomar uma xícara de café,escutar seminários, andar na mesma rua á muito decorada pelo cortex mental,mais cafeína,fuçar em vida alheia, escrever em um blog, passar a noite em claro, e tudo no ciclo vicioso do dia-a-dia.
Temos total repulsa do impacto, dos estragos da força do tal.Somos viciados em controle, em estar acima, em estar bem sempre, em acertar sempre, em errar nunca. Sozinhos, no fim do máquinal dia, somos os mesmos insanos, doentes, viciados, perplexos, nervosos. É só o achar , que põe uma falsa ideia de que estamos bem, rotineiramente bem.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

medo

as vezes me pergunto o significado da palavra medo, mais tenho medo de saber qual é.Tenho medo, do medo porque ele é o maior procrastinador de sonhos que eu já conheci. E eu já o conheci, bem de perto. Ele nos faz pessoas fracas, imorais, inconvenientes, nervosas, viciadas. Considero as pessoas o fruto do medo, um fruto cheio de sementes e como toda semente que quando encharcada nasce, ele é regado pela ilusão e adubado pela desistência.Tudo isso num ciclo vicioso. O medo nos trava, nos domína como nem um outro, e nos faz cair a ponto de nos machucarmos e não conseguirmos mais nos levantar, pelo menos , não sem sequelas. O medo é como uma peste que se propaga em um ambiente fechado. O medo nos impede de dormir, andar , socializar , viver. Nos torna zumbis . . . aliéns , anormais incoerentes obstinados, e assim exponencialmente. Estamos todos ferrados !