Eu sou uma pessoa que tem dó.
Todos os dias, naquela rotina maquinável, quando depois do café eu ando naquela rua já muito conhecida pela memória, me encontro com um pobre coitado, sujo que exala um mal cheiro terrível. Sempre naquela mesma calçada , quieto, descuidado, pobre e só, acompanhado por um cachorro, que as vezes não aguenta aquele odor e sai pra tirar o cheiro de suas narinas caninas.É desumano (sempre será essa a nossa primeira ideia, quando relativo a um caso como esse), mais da mesma forma que nasce esse sentimento chamado dó, relativo á aquele homem, me nasce pela maioria das pessoas, mesmo que elas sejam limpas, cheirosas e tenham muitos recursos materias. Tenho dó dos que amam platônicamente, dó dos que rejeitam o amor doente, dó dos homens que foram traídos, dó das mulheres que traíram, dó das crianças sem sonhos, dó das que sonham mais nunca poderão realizar a façanha , dó . . . simplismente dó , simplesmente tristeza, simplesmente um espírito bondoso que paira sobre a cabeça das pessoas.