Eu sou a brincadeira falsa do mundo.
Sem pontos de verdade. Cem pontos de verdade.
Aptidão de armazenamento mental, é só uma potencialização exponencial da sua capacidade de perder a paz. Um murro vitaminado rumo ao meu maxilar.
A catarata do sono adormece a raiz polinizada do senso, daí a tragédia é um gás hilariante, contraindo forçadamente os músculos esbofeteados do meu rosto e fim. Do grego insônia.
Ausência é a coisa mais medonhamente fácil. O problema, é o excesso.
Excesso de gente, excesso de espaço, excesso de dióxido de carbono, excesso disso e daquilo.
O caminho inevitável do excesso é explodir. Combustão.
O excesso de pressão se deve ao excesso de calor, que se deve ao excesso de energia que se deve ao excesso de volume. E cada um deles se torna excesso pra que cada um deles surja. Em excesso.
Você só vê uma bela imagem fotografada de cardumes de peixes formando espirais na água, pela necessidade que eles tiveram no momento de não serem estraçalhados por algum predador.
Novos planetas surgem pela necessidade dos átomos atraírem gás e matéria para sí próprios e explodirem quando quiserem.
O nome disso é Emergência.
A vida só é assim pela necessidade de ser assim. Só se espera dificuldade de pessoas difíceis. Só se espera inteligência de pessoas loucas.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Desnecessário
Enquanto o amor da sua vida famigera e mastiga um naco do seu cérebro, você só tem olhos pra tinta descascando na parede da casa que dá pra ver da sua janela. Um fio de eletricidade semi-morto. Um gato pulguento.
Enquanto os cartões de créditos explodem no bolso das pessoas, que explodem coisas por explodirem cartões de créditos, você brinca com uma tampinha de caneta.
No intervalo de tempo em que você nota o muro sujo e encontra um tubo sem tinta, dez mil pessoas choraram, cinco mil tiveram uma epifania e cem deram um sorriso amarelo pra alguém.
Uma epifania, e você bolando qual o fio vermelho que explode caso uma descarga de alta voltagem acompanhada de chuva, toquem no mesmo milésimo de segundo, a fiação elétrica. Se a chuva for ácida, todo mundo morre.
No mesmo poste, tem uma pessoa amada que pode ser trazida em três dias e um vaso sanitário que pode ser desentupido.
É a mesma coisa, só que ao contrário.
São tantas formas de se distrair, que se admira prestar atenção em algo, como por exemplo uma formiga tentando levar um grão de arroz.
Enquanto um engravatado rouba seu imposto que não existe a não ser que seja roubado, você fica dez minutos olhando uma pipa no céu.
Enquanto tudo isso acontece, o gato ronrona, e tem uma pessoa sorrindo pra você. Faltam só noventa e nove agora.
Mas tudo é legal.
Meu vaso anda muito bem e a minha pessoa amada degusta o agridoce da minha massa cinzenta totalmente despreocupada com coisas que não sejam eu mesma.
Enquanto os cartões de créditos explodem no bolso das pessoas, que explodem coisas por explodirem cartões de créditos, você brinca com uma tampinha de caneta.
No intervalo de tempo em que você nota o muro sujo e encontra um tubo sem tinta, dez mil pessoas choraram, cinco mil tiveram uma epifania e cem deram um sorriso amarelo pra alguém.
Uma epifania, e você bolando qual o fio vermelho que explode caso uma descarga de alta voltagem acompanhada de chuva, toquem no mesmo milésimo de segundo, a fiação elétrica. Se a chuva for ácida, todo mundo morre.
No mesmo poste, tem uma pessoa amada que pode ser trazida em três dias e um vaso sanitário que pode ser desentupido.
É a mesma coisa, só que ao contrário.
São tantas formas de se distrair, que se admira prestar atenção em algo, como por exemplo uma formiga tentando levar um grão de arroz.
Enquanto um engravatado rouba seu imposto que não existe a não ser que seja roubado, você fica dez minutos olhando uma pipa no céu.
Enquanto tudo isso acontece, o gato ronrona, e tem uma pessoa sorrindo pra você. Faltam só noventa e nove agora.
Mas tudo é legal.
Meu vaso anda muito bem e a minha pessoa amada degusta o agridoce da minha massa cinzenta totalmente despreocupada com coisas que não sejam eu mesma.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Check Mate
O jogo é esse. As peças que te oferecem são essas. Sem mais.
O ano não foi bom. Agora, conte-nos uma novidade. Afinal os anos nunca serão bons, e é claro que isso não é ruim, e não te faz pior. De novo.
Você não é o ano que você viveu. Você não é as poucas e idiotas coisas que você fez porque tem uma cara capitalista e burocrática.
O sonho é esse. O mundo é só essa carcaça engraçadinha.
A minha intenção é desagradar.
Você está indo pra algum lugar, vindo de algum lugar pra fazer qualquer coisa que possa evitar essa hipocrisia distante alguns km de você. Você que eu digo, sou eu, no caso.
O você que é "você" está, na verdade, transando com alguém e achando que ama esse alguém só porque o alguém faz beicinho e tem cara de puta. Nada contra a puta. As putas. Mas no seu caso, é só isso mesmo que você usa pra mascarar toda a pobreza da pessoa.
O fato é: O bispo anda em diagonal. A rainha corre pra onde ela quiser. O rei não faz nada, e o sonar da Torre é a reta.
O Check Mate. Minha letra é a vingança sorridente do mundo. No meio da história, sem propósito sem razão.
Sem sentimentalismo, só esporte.
O importante é competir. Ganhar é o tribal dessa gente bonitinha que faz beicinho, até que finalmente, ela perde.
Mas daí, já é outro ano, outra história, outro Game Over.
O ano não foi bom. Agora, conte-nos uma novidade. Afinal os anos nunca serão bons, e é claro que isso não é ruim, e não te faz pior. De novo.
Você não é o ano que você viveu. Você não é as poucas e idiotas coisas que você fez porque tem uma cara capitalista e burocrática.
O sonho é esse. O mundo é só essa carcaça engraçadinha.
A minha intenção é desagradar.
Você está indo pra algum lugar, vindo de algum lugar pra fazer qualquer coisa que possa evitar essa hipocrisia distante alguns km de você. Você que eu digo, sou eu, no caso.
O você que é "você" está, na verdade, transando com alguém e achando que ama esse alguém só porque o alguém faz beicinho e tem cara de puta. Nada contra a puta. As putas. Mas no seu caso, é só isso mesmo que você usa pra mascarar toda a pobreza da pessoa.
O fato é: O bispo anda em diagonal. A rainha corre pra onde ela quiser. O rei não faz nada, e o sonar da Torre é a reta.
O Check Mate. Minha letra é a vingança sorridente do mundo. No meio da história, sem propósito sem razão.
Sem sentimentalismo, só esporte.
O importante é competir. Ganhar é o tribal dessa gente bonitinha que faz beicinho, até que finalmente, ela perde.
Mas daí, já é outro ano, outra história, outro Game Over.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
expressão exata
Naquela manhã de declínio de domingo, num vagão em movimento cheio de almas paradas, ele se balança num frenesi eterno, pra frente e pra trás.O sangue lhe escorre pelo nariz desobstruído, atingido por uma mão nervosa, ou pelo torpor de uma droga qualquer. Nunca se saberá.
Você teria levantado! me acusa a vergonha. Mas eu não levantei.
O quase não me serve de nada, muito menos de conselho.
Ninguém se inclinou para conter os espasmos, a não ser sua própria mão esmorecendo a cada arrastar no osso nasal. Nesse domingo, a dor soava mais alto do que o ranger constante das rodas no trilho.
Era impossível distinguir homem e agonia. Um aglomerado carnal cheio de sentimento.
Eu não levantei para ajudá-lo.
Todos debaixo da terra que passava rápida pelo vidro grosso das janelas, ignoravam as gotículas que pingavam barulhentas no chão emborrachado. Ao menos tentavam sugerir algo mentalmente, mas nenhuma das almas esbossava qualquer ação eminente.
Inclinando o corpo em dois pólos, num movimento hipnótico. Pra frente e pra trás, numa mistura de muco, sangue, lágrimas e mãos desorientadas, eu o via.
Eu não levantei para ajudá-lo.
Quem apanhou mais nesse domingo caótico?
Será que ele morreu, ou esse fardo foi roubado pelo meu senso? Me pergunto, até agora.
Era impossível distinguir homem e agonia. Um aglomerado carnal cheio de sentimento.
Eu não levantei para ajudá-lo.
Todos debaixo da terra que passava rápida pelo vidro grosso das janelas, ignoravam as gotículas que pingavam barulhentas no chão emborrachado. Ao menos tentavam sugerir algo mentalmente, mas nenhuma das almas esbossava qualquer ação eminente.
Inclinando o corpo em dois pólos, num movimento hipnótico. Pra frente e pra trás, numa mistura de muco, sangue, lágrimas e mãos desorientadas, eu o via.
Eu não levantei para ajudá-lo.
Quem apanhou mais nesse domingo caótico?
Será que ele morreu, ou esse fardo foi roubado pelo meu senso? Me pergunto, até agora.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
mais vórtice e mimimi
O Vórtice de Perspectiva Total desenvolve sua imagem do Universo como um todo
a partir do princípio da análise extrapolada da matéria.
Explicando — uma vez que cada pedaço de matéria no Universo está de alguma
maneira afetado por todos os outros pedaços de matéria do Universo, é teoricamente
possível extrapolar o todo da criação — cada sol, cada planeta, suas órbitas, sua composição
e sua história econômica e social a partir de, digamos, um pedaço de pão-de-ló.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
hoje / amanhã
Procrastinei o amanhã, e ele retrocedeu em dias sem fim.
Acumulei cansaço, rodei o pequeno mundo com os olhos e estagnei no lugar que devia ser o de costume.
O bom de se afastar, é só o prazer de reter a nostalgia por mais algum tempo. Rememorando que: coisas ruins também são relembradas com afeto e saudosismo.
Bom. . .cá estou.
Não mais contente.
Nunca mais desconfiada.
Acumulei cansaço, rodei o pequeno mundo com os olhos e estagnei no lugar que devia ser o de costume.
O bom de se afastar, é só o prazer de reter a nostalgia por mais algum tempo. Rememorando que: coisas ruins também são relembradas com afeto e saudosismo.
Bom. . .cá estou.
Não mais contente.
Nunca mais desconfiada.
sexta-feira, 9 de março de 2012
é o que tem pra hoje.
Numa sexta-feira onde não se tem o que esperar. Numa madrugada vivida centenas de vezes.
Palavras das quais não se permitem ser ouvidas. Palavras das quais eu não permito que flamejem por aí.
Essa é a liberdade que te faz perder toda a esperança. Liberdade que vale a pena, afinal.
Essa dose de miséria humana é o que tem pra hoje.
Essa eterna desventura de viver, sendo eterna em um processo de algumas horas.
Viver o que se viveria em anos, em apenas um pôr-do-sol sem fim.
Apesar dos pesares o mal conhecido, é melhor do que o bem desconhecido.
Porque o que você não conhece pode ser qualquer coisa.
O que você não conhece, se fantasia de medo. Se fantasia de invisível. Se fantasia de impossível.
Você não sabe o gosto agridoce que isso vai ter.
No final, você é só um burocrata cheio de falsa-vida pra viver. Esperando um pouco mais de clímax que não vai existir. Tentando encontrar os ganchos desse roteiro muito mal-bolado da sua trilogia.
Palavras das quais não se permitem ser ouvidas. Palavras das quais eu não permito que flamejem por aí.
Essa é a liberdade que te faz perder toda a esperança. Liberdade que vale a pena, afinal.
Essa dose de miséria humana é o que tem pra hoje.
Essa eterna desventura de viver, sendo eterna em um processo de algumas horas.
Viver o que se viveria em anos, em apenas um pôr-do-sol sem fim.
Apesar dos pesares o mal conhecido, é melhor do que o bem desconhecido.
Porque o que você não conhece pode ser qualquer coisa.
O que você não conhece, se fantasia de medo. Se fantasia de invisível. Se fantasia de impossível.
Você não sabe o gosto agridoce que isso vai ter.
No final, você é só um burocrata cheio de falsa-vida pra viver. Esperando um pouco mais de clímax que não vai existir. Tentando encontrar os ganchos desse roteiro muito mal-bolado da sua trilogia.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Sobreviventes do Advento
Ouço das pessoas o quanto elas querem sair voando por aí, em torno de coisas maiores, só por vontade.
Eu discordo. Discordo plenamente.
O motivo pelo qual as pessoas anseiam mudar o curso das suas vidas, é basicamente o fato de que elas estão infelizes.
O que torna, essa vontade, inválida. Ela passa a não ser mais uma vontade.
Ela passa a ser simplesmente um advento do qual as pessoas se utilizam, pra saturar o fato de que elas não estão bem.
Isso não é covardia. É apenas algo racional.
O que as pessoas querem de verdade, é não querer sair voando por aí.
A única coisa que as pessoas realmente querem, é estar bem do jeito que estão. Não interessa se com pouco amor e compreensão ou com muito dinheiro, todos só preferem estar satisfeitos.
O que não é pecado.
Acredite, você está debaixo das mesmas nuvens cor-de-rosa que todas as pessoas que acordam ás seis da manhã pra cumprirem com muito desgosto seus afazeres mórbidos.
Não existe vida instável, e não existe vida que não seja conturbada.
Mas isso também não me mata. Não te mata.
Isso só te faz sobreviver. Isso só me faz desgastar.
Eu discordo. Discordo plenamente.
O motivo pelo qual as pessoas anseiam mudar o curso das suas vidas, é basicamente o fato de que elas estão infelizes.
O que torna, essa vontade, inválida. Ela passa a não ser mais uma vontade.
Ela passa a ser simplesmente um advento do qual as pessoas se utilizam, pra saturar o fato de que elas não estão bem.
Isso não é covardia. É apenas algo racional.
O que as pessoas querem de verdade, é não querer sair voando por aí.
A única coisa que as pessoas realmente querem, é estar bem do jeito que estão. Não interessa se com pouco amor e compreensão ou com muito dinheiro, todos só preferem estar satisfeitos.
O que não é pecado.
Acredite, você está debaixo das mesmas nuvens cor-de-rosa que todas as pessoas que acordam ás seis da manhã pra cumprirem com muito desgosto seus afazeres mórbidos.
Não existe vida instável, e não existe vida que não seja conturbada.
Mas isso também não me mata. Não te mata.
Isso só te faz sobreviver. Isso só me faz desgastar.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Insuportavelmente suportável
Hoje em dia eu tomo dois remédios de uma vez.
Sem receios.
Antes, eu tinha medo de morrer. Morrer sabe.
Perder os sentidos, desmaiar e virar mais um nome que vai sair no obituário.
É como uma torneira.
Você fecha. Ela continua pingando. Você aperta. Continua pingando. Você espreme mais um pouco. Ela espana.
Espana.
A agonia de se viver dependente de certas reações humanas, atinge o limite,e espana,te livrando da preocupação,e te enchendo dela, ao mesmo tempo.
É insuportavelmente suportável.
Você que toca violão, sabe disso.
Dói a ponta dos dedos. Parece que eles vão cair, mais o som, Ah, o som dos acordes, é esplêndido.
Meio assim sem cabimento tudo isso. Mas, quem é que sabe o porvir de um louco com razão?
Sem receios.
Antes, eu tinha medo de morrer. Morrer sabe.
Perder os sentidos, desmaiar e virar mais um nome que vai sair no obituário.
É como uma torneira.
Você fecha. Ela continua pingando. Você aperta. Continua pingando. Você espreme mais um pouco. Ela espana.
Espana.
A agonia de se viver dependente de certas reações humanas, atinge o limite,e espana,te livrando da preocupação,e te enchendo dela, ao mesmo tempo.
É insuportavelmente suportável.
Você que toca violão, sabe disso.
Dói a ponta dos dedos. Parece que eles vão cair, mais o som, Ah, o som dos acordes, é esplêndido.
Meio assim sem cabimento tudo isso. Mas, quem é que sabe o porvir de um louco com razão?
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