sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Excesso

Eu sou a brincadeira falsa do mundo.
Sem pontos de verdade. Cem pontos de verdade.
Aptidão de armazenamento mental, é só uma potencialização exponencial da sua capacidade de perder a paz. Um murro vitaminado rumo ao meu maxilar.
A catarata do sono adormece a raiz polinizada do senso, daí a tragédia é um gás hilariante, contraindo forçadamente os músculos esbofeteados do meu rosto e fim. Do grego insônia.
Ausência é a coisa mais medonhamente fácil. O problema, é o excesso.
Excesso de gente, excesso de espaço, excesso de dióxido de carbono, excesso disso e daquilo.
O caminho inevitável do excesso é explodir. Combustão.
O excesso de pressão se deve ao excesso de calor, que se deve ao excesso de energia que se deve ao excesso de volume. E cada um deles se torna excesso pra que cada um deles surja. Em excesso.
Você só vê uma bela imagem fotografada de cardumes de peixes formando espirais na água, pela necessidade que eles tiveram no momento de não serem estraçalhados por algum predador.
Novos planetas surgem pela necessidade dos átomos atraírem gás e matéria para sí próprios e explodirem quando quiserem.
O nome disso é Emergência.
A vida só é assim pela necessidade de ser assim. Só se espera dificuldade de pessoas difíceis. Só se espera inteligência de pessoas loucas.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Desnecessário

Enquanto o amor da sua vida famigera e mastiga um naco do seu cérebro, você só tem olhos pra tinta descascando na parede da casa que dá pra ver da sua janela. Um fio de eletricidade semi-morto. Um gato pulguento.
Enquanto os cartões de créditos explodem no bolso das pessoas, que explodem coisas por explodirem cartões de créditos, você brinca com uma tampinha de caneta.
No intervalo de tempo em que você nota o muro sujo e encontra um tubo sem tinta, dez mil pessoas choraram, cinco mil tiveram uma epifania e cem deram um sorriso amarelo pra alguém.
Uma epifania, e você bolando qual o fio vermelho que explode caso uma descarga de alta voltagem acompanhada de chuva, toquem no mesmo milésimo de segundo, a fiação elétrica. Se a chuva for ácida, todo mundo morre.
No mesmo poste, tem uma pessoa amada que pode ser trazida em três dias e um vaso sanitário que pode ser desentupido.
É a mesma coisa, só que ao contrário.
São tantas formas de se distrair, que se admira prestar atenção em algo, como por exemplo uma formiga tentando levar um grão de arroz.
 Enquanto um engravatado rouba seu imposto que não existe a não ser que seja roubado, você fica dez minutos olhando uma pipa no céu.
Enquanto tudo isso acontece, o gato ronrona, e tem uma pessoa sorrindo pra você. Faltam só noventa e nove agora.
Mas tudo é legal.
Meu vaso anda muito bem e a minha pessoa amada degusta o agridoce da minha massa cinzenta totalmente despreocupada com coisas que não sejam eu mesma.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Check Mate

O jogo é esse. As peças que te oferecem são essas. Sem mais.
O ano não foi bom. Agora, conte-nos uma novidade. Afinal os anos nunca serão bons, e é claro que isso não é ruim, e não te faz pior. De novo.
Você não é o ano que você viveu. Você não é as poucas e idiotas coisas que você fez porque tem uma cara capitalista e burocrática.
O sonho é esse. O mundo é só essa carcaça engraçadinha.
A minha intenção é desagradar.
Você está indo pra algum lugar, vindo de algum lugar pra fazer qualquer coisa que possa evitar essa hipocrisia distante alguns km de você. Você que eu digo, sou eu, no caso.
O você que é "você" está, na verdade, transando com alguém e achando que ama esse alguém só porque o alguém faz beicinho e tem cara de puta. Nada contra a puta. As putas. Mas no seu caso, é só isso mesmo que você usa pra mascarar toda a pobreza da pessoa.
O fato é: O bispo anda em diagonal. A rainha corre pra onde ela quiser. O rei não faz nada, e o sonar da Torre é a reta.
O Check Mate. Minha letra é a vingança sorridente do mundo. No meio da história, sem propósito sem razão.
Sem sentimentalismo, só esporte.
O importante é competir. Ganhar é o tribal dessa gente bonitinha que faz beicinho, até que finalmente, ela perde.
Mas daí, já é outro ano, outra história, outro Game Over.