O papel não sabe ouvir.
A certeza não é saudável se você não estiver certo, e a Epifania vira loucura, insanidade se nos limita.
Permita-me ser clichê papel. Permita-me falar o que já está gravado.
Isso não é sobre amor ou ódio, ou alguém com boca e olhos. Isso não é a inspiração de um dia feliz ou triste.
Isso é sobre uma certeza opressora.
Nós somos o que sobramos no final do dia. Nós somos a opressão esmagada de uma ideia que é perfeita antes de ser formulada.
Nós somos a reação que nos sobra. Nós somos exatamente o sentimento que nos resta sentir depois de todas aquelas coisas que se dizem ser nós mesmos.
Pense um pouco, nobre leitor.
Enquanto eu escrevo nesse papel que não sabe ouvir, enquanto eu e você evitamos ser essa primeira pessoa do singular, nós estamos exercendo exatamente o que nós somos.
Nós somos uma evitação. A precaução eterna.
Estamos ambos aqui, recolhendo o nosso pequeno e particular naufrágio diário, evitando evitar a evitação.
Sem querer ser esse final de dia.
Nós não queremos ser um par de olhos cansados. Nós não queremos ser um sorriso amarelo e inconformado.
Isso não é sobre dor ou sobre ódio. Isso não é sobre estar feliz ou triste.
Isso é sobre aquilo que o papel não entende. Sobre o que o meu papel não entende. Sobre o que o seu papel não entende.
Isso é sobre o trigo que não queria ser ceifado e virar pão.