Não espere que as pessoas se importem com a sua dor, sua insônia, seu desânimo,e a sua loucura.
Eles não irão te entregar heroína pra te livrar da agonia, não vão te fazer um suco de maracuja pra que você tenha sono,não te darão uma porção de sorriso pra arrancar essa cara e muito menos, fenonarbital de sódio pra parar com a sua loucura.
Descobri que talvez não haja explicação pra nenhuma dessas coisas.
Isso simplesmente acontece.
Você só precisa existir como ser social.
Eu não me importo com a sua aparência e com seus desejos mais ocultos, eu só me importo com o fato de que você pode ser a causa dos problemas mais tenros e densos da humanidade.
E é assim que as pessoas seguem. Precisar chegar em algum lugar,e simplesmente não ter um lugar pra se chegar.
Viver maquinalmente, com planilha de orçamento. Faço calculos mentais.
A raça humana é invariável, e como bem disse Budowski, extremamente exagerada: Com seus heróis, Seus Inimigos e sua própia importância. Ninguém é tão importante assim, que mereça tempos de análise profunda. E mesmo assim as pessoas ousam opinar.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
O Arquivo, por Victor Giudice
No fim de um ano de trabalho, João obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.
João era moço. Aquele era o seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir e agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isso parecia aumentar-lhe a disposição.
Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
Desta vez, a empresa atravessava um período excelente . A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
Novos sorrisos, novos agradecimentos. nova mudança.
Agora João acordava ás cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.
Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordínário aconteceu.
João preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas, não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
Respirou descompassado.
- Seu João. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
João abaixou a cabeça em sinal de modéstia.
- Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
O coração parava.
- Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
- De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias, Contente?
Radiante, João gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
Nesta noite, João não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
Mas uma vez, mudou-se. Finalmente deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.
Chegava em casa ás onze da noite, levantava-se as três da madrugada . Esfarelava-se num trem e dois Ônibus para garantir meia hora de antecedência.
A vida foi passando, com novos prêmios.
A sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
O corpo era um monte de rugas sorridentes.
Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho.
Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:
- Seu joão. O senhor acaba de ter o salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mais nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
- Agradeço tudo o que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria. O chefe não compreendeu:
- Mas seu João, logo agora que o senhor está desassalariado? Porquê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isso? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
A emoção impediu qualquer resposta.
João afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
João transformou-se num arquivo de metal.
" Depois de um tempo, você nota que já estava sendo engolido pelas pessoas primeiro. Mas aí, é tarde demais."
João era moço. Aquele era o seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir e agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isso parecia aumentar-lhe a disposição.
Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
Desta vez, a empresa atravessava um período excelente . A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
Novos sorrisos, novos agradecimentos. nova mudança.
Agora João acordava ás cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.
Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordínário aconteceu.
João preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas, não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
Respirou descompassado.
- Seu João. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
João abaixou a cabeça em sinal de modéstia.
- Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
O coração parava.
- Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
- De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias, Contente?
Radiante, João gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
Nesta noite, João não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
Mas uma vez, mudou-se. Finalmente deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.
Chegava em casa ás onze da noite, levantava-se as três da madrugada . Esfarelava-se num trem e dois Ônibus para garantir meia hora de antecedência.
A vida foi passando, com novos prêmios.
A sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
O corpo era um monte de rugas sorridentes.
Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho.
Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:
- Seu joão. O senhor acaba de ter o salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mais nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
- Agradeço tudo o que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria. O chefe não compreendeu:
- Mas seu João, logo agora que o senhor está desassalariado? Porquê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isso? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
A emoção impediu qualquer resposta.
João afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
João transformou-se num arquivo de metal.
" Depois de um tempo, você nota que já estava sendo engolido pelas pessoas primeiro. Mas aí, é tarde demais."
domingo, 6 de fevereiro de 2011
pensar e pensar
Você não precisa gostar da situação, você só precisa pensar.
Quando você pensa, você abre mundos e mundos e infinidades de opções pra escapar de coisas que você não gosta, e até mesmo, criar uma situação pra que algo que você goste aconteça.
Isso na maioria das vezes funciona. Talvez não funcione. Mas se funcionar você terá ganhado absolutamente tudo.
As pessoas não vão reclamar se você quiser fazer uma faculdade de filosofia. Elas não vão ligar se você não se importa com desgraça alheia. Não irão te forçar a ser o útil e o agradável. E vão te deixar desenhar em paz. Pelo menos eu espero que isso aconteça.
Quando você cresce, a magia do pensamento as vezes enjoa de você e vai embora junto com a idade. O que é irritante e gastativo. Porque você procura, mas não encontra. Felizmente ou infelizmente.
Na verdade, você pode tentar descançar, porque talvez, ela volte daqui a algum tempo, e pode ser, que até mesmo, bem mais forte do que antes.
Quando você pensa, você abre mundos e mundos e infinidades de opções pra escapar de coisas que você não gosta, e até mesmo, criar uma situação pra que algo que você goste aconteça.
Isso na maioria das vezes funciona. Talvez não funcione. Mas se funcionar você terá ganhado absolutamente tudo.
As pessoas não vão reclamar se você quiser fazer uma faculdade de filosofia. Elas não vão ligar se você não se importa com desgraça alheia. Não irão te forçar a ser o útil e o agradável. E vão te deixar desenhar em paz. Pelo menos eu espero que isso aconteça.
Quando você cresce, a magia do pensamento as vezes enjoa de você e vai embora junto com a idade. O que é irritante e gastativo. Porque você procura, mas não encontra. Felizmente ou infelizmente.
Na verdade, você pode tentar descançar, porque talvez, ela volte daqui a algum tempo, e pode ser, que até mesmo, bem mais forte do que antes.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Explicação.
Você só quer sair. Você só quer andar. Você só quer largar o vício. Você só quer admitir que gosta de respirar este ar. Você só quer admitir que gosta das risadas. Você só quer parar de pensar. Você só quer precisar chegar no ponto. Você só quer perder o ponto. Você só quer reecontrá-lo novamente. Você só quer perigo. Você só quer compania. Você só quer estar sozinho. Você só quer compreensão. Você só quer ter fé na humanidade. Você só quer dinheiro. Você só quer amores inexistentes. Você só quer se questionar. Você só quer vê-lo. Mas é bom se privar dos olhares alheios. Da resposta torpe. Dos verbos indecorosos. E continuar tecendo aquela história esfacelada e decrépita. E você é bom na questão de persuasão.
O que pode ralaxar a sua mente, é que um dia alguém poderá explicar os fatos tão meticulosos da sua vida. E eu afirmo isso, porque seria frustrante , estar aqui, trabalhar, pagar as contas, criar filhos, sofrer por algo, e depois não ter nenhuma razão suficiente pra saber que houve motivo pra tudo, e que pode se manter em paz. Você só quer uma explicação
O que pode ralaxar a sua mente, é que um dia alguém poderá explicar os fatos tão meticulosos da sua vida. E eu afirmo isso, porque seria frustrante , estar aqui, trabalhar, pagar as contas, criar filhos, sofrer por algo, e depois não ter nenhuma razão suficiente pra saber que houve motivo pra tudo, e que pode se manter em paz. Você só quer uma explicação
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