quarta-feira, 20 de junho de 2018
Raiva
Quando você é atestado como temperamentalmente instável, significa que você pode socar um rostinho até a bochecha do rostinho abrir.
Daí que você vai pra um tratamento contra a raiva.
Uma das regras de se fazer um tratamento contra explosão de raiva é interiorizar que você não pode dar uma lição em ninguém.
Tem que esquecer esse negócio de dar lição nas pessoas.
Todo mundo quer dar alguma lição em alguém.
Você é tratado como radiação alta. Radiação gama
As pessoas são um pedaço de lixo mas você não pode matar o coleguinha.
Você não pode matar o coleguinha.
Você não pode matar.
"Matar... não pode." Balançando o indicador no símbolo universal do não .
Como se fosse uma recomendação pra não comer comida gordurosa.
Uma das regras de se fazer tratamento contra explosão de raiva é perceber que tudo acontece muito rápido então você precisa estar em alerta.
"Você não pode matar as pessoas." e não é como se você não soubesse disso.
Então quando você trata sua raiva com alguém que vai treinar pra se controlar - que é sempre um treinador de luta; é assim que você descarrega raiva - essa pessoa te olha como se você fosse arrancar a orelha dele com o dente.
Assim sem mais.
"Você não pode matar o colega."
Como se você fosse chutar a patela dele até ela parar do outro lado.
"Talvez seja por isso...já pensou?"
Como se você pudesse arrancar todos os fios de cabelo de alguém até só sobrar uma careca cheia de porinhos de sangue.
"Não."
Andando no tatame com proteção dentária.
"Talvez"
Como se você fosse fazer tudo isso com você mesmo.
"Talvez seja por isso que ninguém gosta de você por muito tempo"
E você já tá no chão com o braço esticado.
"Talvez se você tentar ser mais calma."
Violencia pela paz pode.
"Não existe calma".
Violência pela violência e te recomendam controlar a raiva.
Segurar a onda.
Dar uma maneirada.
"O mundo não vai ser correto."
Estirada no chão.
Com raiva.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
Meditação
Meditação.
Sinta todo o seu corpo.
A solução vai ser meditar por pelo menos 15 minutos antes de dormir.
Visualize cada parte dos seus ombros, pescoço e cabeça.
Você senta com os joelhos dobrados pra fora ou faz qualquer formato com suas pernas e chama essa porra de "posição de lótus".
Agora solte todo o peso.
Buda, Shiva. Todos eles fizeram perninha de índio.
Sincronize sua inspiração com sua expiração.
Essa coisa toda com as pernas, dizem, serve pra melhorar a respiração. O fluxo da respiração. O caminho da respiração.
Inspire por 4 segundos.
Não é foder até sangrar que te vai te aliviar, é respirar.
Expire por 4 segundos.
Buda não fodeu com ninguém. Nem uma só trepadinha.
Se imagine dentro da água de uma praia.
Ele respirava e isso resolvia todo.
A água são os seus pensamentos.
Meditar vai ser esse último recurso depois de quase quebrar a porta de casa no grito.
Saia dessa água e sinta que você está deixando os pensamentos preocupantes para trás.
Você vai sentar na sua cama porque o chão tá todo sujo de coisa que não dá tempo de limpar e fingir que você pode tentar se livrar do desespero baforando no seu cangote.
Sente na areia da praia e veja seus pensamentos de fora, sem que eles possam interferir em você.
15 minutos por dia e, eles dizem, você vai ser curado.
Inspire por 4 segundos. O segredo todo é respirar.
Você senta como os grandes sagrados usados por não sei quantas mil religiões orientais e tudo é capaz de se alinhar.
Expire por 4 segundos.
Sua ansiedade, sua insônia. Seu beicinho tremendo de agonia quase todo dia.
Sinta a brisa da praia.
Quase o tempo todo. Sua frustração, sua raiva.
Sinta a areia quente nos pés.
Sua vontade de matar alguém.
Ouça de fora a música das ondas que são os seus pensamentos.
Sua vontade de socar a cara do buda.
Você faz parte da vida.
Sidarta, o nome do buda. Reage Sidarta.
A vida é maior que tudo isso.
Passividade do caralho, Buda.
Abrace a vida.
Não tá resolvendo porra nenhuma.
Inspire.
Minha religião é o desespero.
Expire.
Sinta todo o seu corpo.
A solução vai ser meditar por pelo menos 15 minutos antes de dormir.
Visualize cada parte dos seus ombros, pescoço e cabeça.
Você senta com os joelhos dobrados pra fora ou faz qualquer formato com suas pernas e chama essa porra de "posição de lótus".
Agora solte todo o peso.
Buda, Shiva. Todos eles fizeram perninha de índio.
Sincronize sua inspiração com sua expiração.
Essa coisa toda com as pernas, dizem, serve pra melhorar a respiração. O fluxo da respiração. O caminho da respiração.
Inspire por 4 segundos.
Não é foder até sangrar que te vai te aliviar, é respirar.
Expire por 4 segundos.
Buda não fodeu com ninguém. Nem uma só trepadinha.
Se imagine dentro da água de uma praia.
Ele respirava e isso resolvia todo.
A água são os seus pensamentos.
Meditar vai ser esse último recurso depois de quase quebrar a porta de casa no grito.
Saia dessa água e sinta que você está deixando os pensamentos preocupantes para trás.
Você vai sentar na sua cama porque o chão tá todo sujo de coisa que não dá tempo de limpar e fingir que você pode tentar se livrar do desespero baforando no seu cangote.
Sente na areia da praia e veja seus pensamentos de fora, sem que eles possam interferir em você.
15 minutos por dia e, eles dizem, você vai ser curado.
Inspire por 4 segundos. O segredo todo é respirar.
Você senta como os grandes sagrados usados por não sei quantas mil religiões orientais e tudo é capaz de se alinhar.
Expire por 4 segundos.
Sua ansiedade, sua insônia. Seu beicinho tremendo de agonia quase todo dia.
Sinta a brisa da praia.
Quase o tempo todo. Sua frustração, sua raiva.
Sinta a areia quente nos pés.
Sua vontade de matar alguém.
Ouça de fora a música das ondas que são os seus pensamentos.
Sua vontade de socar a cara do buda.
Você faz parte da vida.
Sidarta, o nome do buda. Reage Sidarta.
A vida é maior que tudo isso.
Passividade do caralho, Buda.
Abrace a vida.
Não tá resolvendo porra nenhuma.
Inspire.
Minha religião é o desespero.
Expire.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Um conto: Decomposição
Ele não limpa esse quarto porque tem dias que só dá pra esfregar a mão e mais nada.
Tem dia que só dá pra sofrer.
Ele pega em um estojo de canetas e percebe a desgraça nas manchas de mofo cobrindo o couro preto como pomada em bunda de neném.
Uma camada lisinha, diametralmente perfeita e verde.
Verde mofo.
'Mas mofo só não cresce em comida?', ele pergunta dentro da cabeça.
'Acho que eu acostumei com o cheiro'.
Acostumado.
Tem aquele exemplo que todo mundo usa pra enfeitar qualquer conversa sobre se acostumar: O sapo e a panela de água quente.
'Ele serve bem', ele pensa. O exemplo. A história do sapo e da panela fervendo.
Você sabe, certo?
'Todo mundo já ouviu essa história de algum velho que goste de livros de auto-ajuda ou de alguma professora que leia Augusto Cury', na cabeça.
Quando você joga o sapo em uma panela fervendo, ele pula. Diferente de você colocar o sapo em uma panela com água fria e ir aumentando a temperatura aos poucos. O sapo se acostuma e não repara a água esquentando e quando percebe já está fervendo quase morto.
Então, é exatamente isso.
O quarto inteiro tem uma película de fungo em cima de coisas como roupas. Coisas como livros. Coisas como uma casca de mamão comido.
O sapo na água fresquinha.
Aquelas bolinhas pequenas e médias criando crostinhas verdes, fazendo desenhos.
'Eu durmo aqui todos os dias, cara', dentro da cabeça.
Mofo é fungo. Fungo são decompositores.
'Quando que isso começou a brotar aqui?', na cabeça.
Milhares de decompositores. Decompositores decompondo o cômodo todo.
Ele só entende como chegou nesse estado pensando no exemplo podre do sapo.
'Tem eu e o sapo', na cabeça.
A médica disse que faz parte do processo.Não tem produção de serotonina. Às vezes nem banho você consegue tomar, quem dirá pegar desinfetante pra esfregar ladrilho de chão.
''Mas que merda de metáfora é essa?', na cabeça.
Ele não limpa o quarto há dias porque tem vezes que só dá pra querer morrer.
'Eles estão me decompondo', na cabeça.
O sapo nadando morninho.
O fungo vai 'comendo' resíduo.
Tudo o que o fungo come já foi vivo antes de estar pronto pra ser comido.
Mofo sobe em cima de cadáver.
'Eu sou um residuo', dentro da cabeça.
A água ficando quentinha, o sapo tranquilo morninho.
O travesseiro fede. O ar é vinagrento.
'Pronto pra terminar de ser morto', na cabeça.
Ele passa mais da metade do dia dentro de um quarto que parece abrigar um morto.
Um morto que esfrega as mãos.
O sapo cozinhando.
'Esse fungo só tá esperando eu parar de me mexer por mais de 15 horas.' na cabeça.
O sapo derretendo.
Mas tem dias que só dá pra socar a parede até a pele em cima do ossinho metacarpo sangrar.
O sapo grudando no metal da panela evaporando água.
'Eu tô enterrado no meio do mofo', na cabeça.
O mofo vai comendo só aquilo que está em decomposição.
O sapo dissolvido, afogado na própria pele. Borbulhando. Morto
Ele deitado. Dissolvido.
'Tem dia que não dá pra ficar na água fria', na cabeça.
Borbulhando.
Já foi vivo agora não vive mais.
Afogado.
'Daqui a pouco esse mofo sobe em cima de mim', na cabeça.
Borbulhando.
'Eu sei qual é a desse sapo filha da puta', na cabeça.
A água já evaporou há muito tempo.
'Eu e o sapo', na cabeça.
Morto.
Tem dia que só dá pra sofrer.
Ele pega em um estojo de canetas e percebe a desgraça nas manchas de mofo cobrindo o couro preto como pomada em bunda de neném.
Uma camada lisinha, diametralmente perfeita e verde.
Verde mofo.
'Mas mofo só não cresce em comida?', ele pergunta dentro da cabeça.
'Acho que eu acostumei com o cheiro'.
Acostumado.
Tem aquele exemplo que todo mundo usa pra enfeitar qualquer conversa sobre se acostumar: O sapo e a panela de água quente.
'Ele serve bem', ele pensa. O exemplo. A história do sapo e da panela fervendo.
Você sabe, certo?
'Todo mundo já ouviu essa história de algum velho que goste de livros de auto-ajuda ou de alguma professora que leia Augusto Cury', na cabeça.
Quando você joga o sapo em uma panela fervendo, ele pula. Diferente de você colocar o sapo em uma panela com água fria e ir aumentando a temperatura aos poucos. O sapo se acostuma e não repara a água esquentando e quando percebe já está fervendo quase morto.
Então, é exatamente isso.
O quarto inteiro tem uma película de fungo em cima de coisas como roupas. Coisas como livros. Coisas como uma casca de mamão comido.
O sapo na água fresquinha.
Aquelas bolinhas pequenas e médias criando crostinhas verdes, fazendo desenhos.
'Eu durmo aqui todos os dias, cara', dentro da cabeça.
Mofo é fungo. Fungo são decompositores.
'Quando que isso começou a brotar aqui?', na cabeça.
Milhares de decompositores. Decompositores decompondo o cômodo todo.
Ele só entende como chegou nesse estado pensando no exemplo podre do sapo.
'Tem eu e o sapo', na cabeça.
A médica disse que faz parte do processo.Não tem produção de serotonina. Às vezes nem banho você consegue tomar, quem dirá pegar desinfetante pra esfregar ladrilho de chão.
''Mas que merda de metáfora é essa?', na cabeça.
Ele não limpa o quarto há dias porque tem vezes que só dá pra querer morrer.
'Eles estão me decompondo', na cabeça.
O sapo nadando morninho.
O fungo vai 'comendo' resíduo.
Tudo o que o fungo come já foi vivo antes de estar pronto pra ser comido.
Mofo sobe em cima de cadáver.
'Eu sou um residuo', dentro da cabeça.
A água ficando quentinha, o sapo tranquilo morninho.
O travesseiro fede. O ar é vinagrento.
'Pronto pra terminar de ser morto', na cabeça.
Ele passa mais da metade do dia dentro de um quarto que parece abrigar um morto.
Um morto que esfrega as mãos.
O sapo cozinhando.
'Esse fungo só tá esperando eu parar de me mexer por mais de 15 horas.' na cabeça.
O sapo derretendo.
Mas tem dias que só dá pra socar a parede até a pele em cima do ossinho metacarpo sangrar.
O sapo grudando no metal da panela evaporando água.
'Eu tô enterrado no meio do mofo', na cabeça.
O mofo vai comendo só aquilo que está em decomposição.
O sapo dissolvido, afogado na própria pele. Borbulhando. Morto
Ele deitado. Dissolvido.
'Tem dia que não dá pra ficar na água fria', na cabeça.
Borbulhando.
Já foi vivo agora não vive mais.
Afogado.
'Daqui a pouco esse mofo sobe em cima de mim', na cabeça.
Borbulhando.
'Eu sei qual é a desse sapo filha da puta', na cabeça.
A água já evaporou há muito tempo.
'Eu e o sapo', na cabeça.
Morto.
sábado, 13 de janeiro de 2018
Cínico
A sensação é de algo fritando no meio do tórax.
Uns são pra dormir e outros pra acordar.
Eles me disseram que um dia o andar acontece.
O foda é que frustração é metástase da espera que não façam com você o que você não faz com ninguém.
Um passo.
"Ninguém" vai fazer e você não vai entender. Nunca vai entender. E eles vão continuar fazendo.
É só forçar a canela pra frente mais um pouco.
"Mas porque caralhos você tá fazendo isso?"
Sorriso. É um sadismo do caralho.
Cínico.
Todo cínico que você encontrar na vida vai ser um apocalipse.
É só levantar o joelho.
A porra dum apocalipse.
Um fim de mundo. Um barranco que se escala toda vez.
"Esses aqui são pra dormir, esses aqui são pra acordar."
Eles vão continuar fazendo coisas que você não faria. Sorrindo fazendo coisas que você não faria, inclusive sorrir de novo.
É só levantar o pé.
A humanidade acontecendo dentro dos seus olhos vai colapsando. Apocalipsando. Eclipsando.
É só encostar no chão.
Você vai morrer na estréia. Na estreia do que você nunca fez. Na estreia do que você nunca fará. Num sorriso que você sempre vai lembrar. Morto na estreia com um sorriso cínico grudado como tatuagem.
Uns são pra dormir e outros pra acordar.
Eles me disseram que um dia o andar acontece.
O foda é que frustração é metástase da espera que não façam com você o que você não faz com ninguém.
Um passo.
"Ninguém" vai fazer e você não vai entender. Nunca vai entender. E eles vão continuar fazendo.
É só forçar a canela pra frente mais um pouco.
"Mas porque caralhos você tá fazendo isso?"
Sorriso. É um sadismo do caralho.
Cínico.
Todo cínico que você encontrar na vida vai ser um apocalipse.
É só levantar o joelho.
A porra dum apocalipse.
Um fim de mundo. Um barranco que se escala toda vez.
"Esses aqui são pra dormir, esses aqui são pra acordar."
Eles vão continuar fazendo coisas que você não faria. Sorrindo fazendo coisas que você não faria, inclusive sorrir de novo.
É só levantar o pé.
A humanidade acontecendo dentro dos seus olhos vai colapsando. Apocalipsando. Eclipsando.
É só encostar no chão.
Você vai morrer na estréia. Na estreia do que você nunca fez. Na estreia do que você nunca fará. Num sorriso que você sempre vai lembrar. Morto na estreia com um sorriso cínico grudado como tatuagem.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Enrolada em merda
Eu tenho tanta raiva que eu não tenho mais nada.
Quando chego nesse ponto é como se eu saísse de um cetim branco por um buraco e caísse no chão como um aborto cheio de merda enrolada.
Paz de espírito, perturbação. Metaforiza o que quiser.
O cheiro do lugar. Eu só sinto chegando.
O frio abraça enquanto tudo que não existe começa a não existir mais.
E quando tudo começa a não existir é grande como a gente imagina que só Deus seja. E Deus não é.
Não dá pra entrar mais nada, só sair.
Quando é que chega a parte em que alguém me enrola num pano e me faz chorar?
Alguém me disse pra não esperar.
Não tem mais nada pra acontecer. Tudo já foi. Tudo que será já foi.
Ninguém vai te bater pra você chorar.
Não tem mais nada aqui.
Ou apodrece ou cresce. Mas hoje eu não quero solução.
Quando chego nesse ponto é como se eu saísse de um cetim branco por um buraco e caísse no chão como um aborto cheio de merda enrolada.
Paz de espírito, perturbação. Metaforiza o que quiser.
O cheiro do lugar. Eu só sinto chegando.
O frio abraça enquanto tudo que não existe começa a não existir mais.
E quando tudo começa a não existir é grande como a gente imagina que só Deus seja. E Deus não é.
Não dá pra entrar mais nada, só sair.
Quando é que chega a parte em que alguém me enrola num pano e me faz chorar?
Alguém me disse pra não esperar.
Não tem mais nada pra acontecer. Tudo já foi. Tudo que será já foi.
Ninguém vai te bater pra você chorar.
Não tem mais nada aqui.
Ou apodrece ou cresce. Mas hoje eu não quero solução.
Assinar:
Comentários (Atom)