sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

História dos Outros

Pode me chamar de pessoa fraca por nunca ter sido alguém intrépido em entender os outros.
Tudo está muito codificado. Como um Morse eterno.
Eu não prefiro nada.
Usem o bom senso e cheguem a essa conclusão vocês mesmos.
Ou não.
Se vocês quiserem esquecer o bom senso,continuem me imaginando com vontade de entendê-los.
A vida vai dando um nó nas situações, como um cadarço mal amarrado e espremido várias vezes.
Como os fones de ouvido que seu bolso embaraça. Você não sabe como.
Por mais que você vigie e ameace as situações, elas continuam sendo mais audaciosas.
Vejo nessa rua os suicidas do prédio, as criança leucemicas, os idosos tatuados e as luzes de Natal.
De novo. Se repetindo cinco, seis vezes.Meus olhos ardem.
Todos tem sua carga de desocupações e simplesmente não se importam.Talvez porque não devessem se importar.
Talvez porque sejam apenas adultos, crianças e velhos.
Talvez já tenham visto os olhos coloridos da morte. Talvez.
Todas essas coisas está na história dos outros, e não na minha.
E quer saber do mais, não se tem mais o que saber.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

situações doentes.

A vida é tão irônica, que até um esôfago inflamado você ganha pensando nela.
O que você considera chato, o resto do mundo considera viver.
Experiência de Vida. Eles dizem.
Porque afinal, você precisa contar pros seus filhos, o quanto hipócrita você foi capaz de ser, quando era mais ativo.
Muito Brutal?
Viu.
Tudo que é dito mais diretamente, fica mais feio.
A verdade, assim como o amor, é um daqueles esteriótipos belos, com interior desagradável.
O que te deixa numa situação complicada.
É muito interessante comparar Amor e Verdade, com doenças.
Quando se nota a semelhança, é como descobrir uma cor nova. Descobrir um novo sabor.
As coisas passam a ter mais sentido, mesmo você não tendo muita escolha.
Sem caminhos por onde se podem correr.
A Verdade, se fosse uma doença, poderia ser um Edema Pulmonar.
Causa insuficiência respiratória. Certa dor.
E o Amor, é claro, nada mais justo do que parecer um Câncer.
Vai crescendo, e se não for retirado inicialmente, faz com que nenhuma quimioterapia resulte em algo que não seja, a Morte.
Difícil? Não. Só real e palpável.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pague, Leve.

Eu espero numa fila.
Eu espero, como se estivesse aguardando a morte.
As pessoas e as luzes, são coisas que vem e vão.
Eu olho as horas, e me pergunto, até quando as pessoas vão adornar os momentos com facetas.
Vejo um senhor de xadrez, na parte preferencial. Uma mulher grávida.
Um homem um tanto quanto cansado da vida. Uma criança briguenta.
Posteriormente, tudo nos leva a um único lugar de degradação.
Pague, Leve.
Nós somos todos consumidores.
Duma mesma porcaria digital.
Consumidores de Prestígio.
Você vive que nem bobo, pra depois morrer como besta.
Afinal, o inimigo do bom, é o melhor.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Turbulência

Viver tempos turbulentos.
De repente, você nota a inquietação que tem te acompanhado.
Uma certa desordem no curso das coisas.
Um mal-feito, feito.
A agonia das coisas, transpassa o limiar do suportável e do insuportável.
E independente do que, muitas vezes, a gente acha que atingiu o fundo do terror, desiste, e mesmo assim não morre.
E nesse circulo vicioso, você só pede um pouco de misericórdia, enquanto sua cabeça vai explodindo invisivelmente na cabeça dos outros.
Os tempos são maus. Bem disse.
Hoje, você vive no século da loucura que faz mal, a parte saudável da coisa foi parcialmente embora.
A relação do seu cérebro, com as ideias saudáveis, não são duráveis.Paro pra pensar nas inspirações que um dia cheguei a ter. E parecem inexistentes mediante o buraco negro que é a opinião do Mundo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Porque você quer tanto não ser um humano?

Diga aos outros a verdade sincera.
Nos seus mais obscuros caminhos.
E o que será, será.
O que será, deveria ser.
E todo mundo é um covarde.
...
Mas você está errado.
Não é algo covarde não chamar alguém de idiota.
As pessoas gostam de agir por educação, não só porque é bonito.
Elas fazem isso, porque entraram na casa da humilhação.
Porque sabe que elas cometerão erros.
E sabem que suas ações terão consequencias.
E sabem que essas consequencias são culpa delas.
Porque você quer tanto não ser um humano?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Fim

Os dias estão com cara de Fim de Mundo.
Cada semana mais apocalíptica do que a outra.
E quando você levanta, é como se ainda não estivesse acordado.
É como beirar a ponta do inevitável.
É como perder tempo, pensando se isso tudo não é perda de tempo.
E enquanto isso, as pessoas continuam vivendo o seu Gênesis metafórico, sem muita preocupação e nem dúvida sobre o fato de que as coisas inevitáveis não são possíveis de se evitar, e que toda essa mistura de cor que banha as ruas e os lugares não passam de uma ilusão estúpida de ótica.
Não existem pessoas culpadas.
Pelo simples fato de que a humanidade deixou de ser humana a um bom tempo.
Existem situações irônicas culpadas.
Porque elas continuam as mesmas.
Eu que sempre aceitei ficar sem o que termina, e começa no fim.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Benefício

Aproveite que sua mente não te engana.
Feche seus olhos e sinta a sensação de final de estrada.
Lembre-se do jogado fora.
Das ruas que você andou sozinho, das tardes insuportáveis de sol, das imagens fulguradas com tédio pela sua mente.
Faça cálculos mentais da sua vida.
O resultado é uma pesquisa infinita sem coesão nenhuma.
Como um sorriso sem-graça que você ainda dá pras pessoas, tentando exaustivamente esconder a maldade que existe na solidão exclusiva.
As pessoas solitárias são maldosas, porque a solidão te proporciona um espaço que nenhuma pessoa pode te dar.
Todo aquele tempo infinito sem nenhum ruído borroso, á não ser o seu própio, te leva a ter certeza de que ninguém merece muita coisa nessa vida.
Nem confiança, nem sinceridade e nem nenhuma dessas coisas bonitinhas que as pessoas insistem em dizer que existem.
Mas, nem nas histórias tudo é bonito.
Acho que sou uma pessoa acostumada em sentar num quartinho, e fazer com que as palavras tenham algum sentido.
As vezes elas não tem. O que é divertido, porque você se presta a encontrar outras que se encaixem, tudo num ciclo vicioso.
Eu sou meu maior entretenimento.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Loucos são eles

Tudo se aplica ao fato, daquela navalha que é sua lembrança.
Acordar, tomar seu café, respirar o inebriante ar poluído da cidade e lembrar da sua cabeça explodindo invisílvelmente.
Você busca ajuda.
Seu cativeiro, está um pouco além do viral-social.
Ele está em tudo o que você não diz. Em tudo que você não lê. Em tudo o que você não abraça. Em tudo o que não te é possível.
Não é fácil. Mas é simples.
E o interessante disso tudo, é que existem pessoas sortudas, das quais tudo ocorre bem e o ritmo é fácil.
São as mesmas que te dizem, o que é válido e o que não é válido.
Mas ninguém escapa do martírio.
Por viver tão bem, quando a velha amiga "dor" chega, pode-se ver a fraqueza metafórica que banha de ansiedade boa parte dessas pessoas tão sagazes e digamos, ousadas.
A questão é que o que nós fazemos sobre constante stress revela o que temos de verdade.
Então, de quem é a razão?

domingo, 21 de agosto de 2011


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ser ocupação

Chega o dia em que você cansa de não poder parar.
Do excesso disso e daquilo.
O frenezi enche seus poros. Desce o dejavu.
Pode ser que você já tenha se visto no espelho hoje. Mas não achou parecido.
Você não gosta do que vê.
Deprimir-se pode não ser ruim. Faça contas mentais dos seus problemas.
Logo sua vida se torna um ócio cheio de ocupação.
Você não quer ter responsabilidade, mas não vive sem ela.
Quando você começa a se dar conta dessas coisas, você nota que está sendo engolido.
Tudo está como sempre foi, pelo fato de que sua cabeça está no lugar.
Mas, agora você Sabe.
E você vai explodindo invisívelmente todos os dias.
Com medo fraternal não citado.
Procura o ponto. Precisa do Ponto. Acha o ponto. Não sabe o que fazer com o ponto.
As coisas são hipérboles a sua volta.
Uma coisa fácil potencializa sua dificuldade.
Você só pensa.
Olha a luz das casas. A voz alegre das pessoas nas ruas. A música ruim que elas escutam.
Vem a razão: Simplifique seu Complexo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Remédios Intensos

Você pode decidir se importar com certas coisas.
Interessante como o que motiva uma boa quantidade de pessoas seja tentar implantar algum conceito original nos outros.
Você se depara bastante com esse tipo de gente.
O teu conceito não serve pra mais ninguém além de você mesmo. Isso é óbvio.
A loucura que sucumbi o mundo, tem sido a dependência da ideia alheia.
E como inteligentes, tentam adotar uma postura de não influênciáveis. O que é uma mentira,sabe.
Muito me intriga, analisar certas pessoas e com uma certeza doentia, ativar a conciência de distância.
Não é ser duro, é ser vulnerável.
Então, buscar coisas que não existem, é uma grande perda de tempo.
Resistir ao capicioso, não dá muito certo. Não adianta.
É como tentar achar água pura, no café.
Não existe água pura no cáfé, só existe essa substância misturada. Batizada.
Engraçado quem reclama rios, e diz que chora copos.
Há uma diferença.
Cuidado com o que deixa de pensar. E cuidado com o que pensa.
Segundo Hipócrates, para males extremos, só são ficazes os remédios intensos.
Abra os olhos ou então eles permanecerão fechados em óbito.

sábado, 23 de julho de 2011

Decepção.

Você não gosta deste assunto.

Desapontar-se.
Isso envolve vergonha.
Mal estar. Ardência nos olhos.
Quando você se decepciona com alguma coisa, o mundo meio que perde a forma.
O mundo fica mais errado do que ele já é.
Se decepcionar com alguém ou alguma coisa, é como se seu cachorro morresse e sua mãe dissesse que você ainda pode ficar com ele.
O simples fato de ter que se livrar forçadamente de uma coisa que você não costumava se abster.
Essa questão toda de Decepções, envolvem o fato de que deliberadamente você precisa daquilo que te desiludiu.
Que tem importância e na verdade, são elas diversas.
Diversas delas eu considero não desilusíveis, mas de qualquer forma, essas coisas podem até matar certas pessoas. Isso vai, literalmente, de cada pessoa.
Amores, por exemplo.
Teorias, também.
Porém de qualquer forma , o desapontamento norteia a vida das pessoas não tão sagazes assim.
Poderíamos dizer que até mesmo, das não tão corajosas.
E tem a questão de que não tem remédio.
Não tem uma droga utilizável pra estancar os fluídos soltos da decepção.
Certas pessoas já criaram alguma tática de defesa, muito embora ainda não se saiba qual é.
Então, defendo a tese, de que se você tem algum tipo de amor próprio, não se apaixone e nem dê tanto crédito pra coisas e pessoas que você sabe que pode ser liquidado, por elas.
O mundo te obriga a criar atalhos, contra coisas que fazem mal.
Se não você morre.
Morre de depressão porque o amor da sua vida, não se importa com os seus problemas, e vai embora pra alguma cidade distante. Ou então simplesmente porque ele não existe.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

á Noite

Tudo fica estranho a Noite.
Tudo é mais traiçoeiro.
As coisas se tornam desformes. Ganhando vida.
Os objetos sentem-se no direito liberto de afugentarem as ideias.
Os sons se potencializam.
A pupila dilata.
O pulso acelera.
Sente-se o limiar da impossibilidade, atravessando o campo invisível.
Entrando na sua perspectiva momentânea.

Pros bem-acompanhados, a Noite é maligna.
Já pros solitários, ela é sorrateira e bem acolhida.
Recepcionada com alento e bom grado.
A Noite e o Bom pensador são bons amigos.
Nessas horas, todo mundo vira poeta.
As palavras são fáceis.
Afinal, a madrugada não os abandona.
De braços dados, se arrastam afim de encontrar repouso.



segunda-feira, 7 de março de 2011

Todas as pessoas que andam por aí, são relativamente perigosas, ou perigosamente frágeis pra estarem soltas perambulando por um objetivo maior, que pode ser este existir. Talvez um momento de azar trace a veia trágica em cada uma das cabeças que andam pelas ruas abobadas de tragicidade.
O céu nublado desperta o interesse das pessoas plásticas. Ele torna as coisas mais densas e cinzas, como mesmo se denuncía ser.
Pode ser que você ande com medo por aí, e com uma visão pragmática das coisas.
Todos são muito parecidos, e talvez não seja necessário ter medo da última conclusão que vai ser dada a seu respeito. As pessoas estão mais interessadas em permanecerem inertes, bolando planos pra serem invisíveis, andando visívelmente como um desenho feito com lápis 3d. Existir por existir. Mal note, você reclama de sí mesmo.
As pessoas tentam permanecer invisíveis pra alcançar a visibilidade. Ser transparente até a hora que resolverem te pintar de uma cor nova que acabou de ser descoberta.
E tudo não passa de um esforço mútuo e desnecessário.
No final são poucas que completam sua tarefa com maestria: A de se tornarem alguma coisa além do que já se espera, e darem um banho de inexperiência e surpresa nos outros.

sexta-feira, 4 de março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

ok

Pode ser que eu tenha colocado fones de ouvido, e tenha esquecido o resto do mundo.
Talvez eu tenha ofendido com as palavras que eu disse.
Eu posso estar no meio de uma rua como um desenho inanimado, parada no meio da rua.
Entre um breu e outro. Ofuscando a luz verde das televisões das casas. Com livros nas mãos. Com uma guinada penso que posso ter esquecido as telas ligadas. Isso não importa. Tentando colocar um pé na frente do outro e tropeçando ao mesmo tempo.
Imaginando quantos suicídios não estariam acontecendo. Imaginando quantas pessoas não estariam nascendo.
Fazendo cálculos mentais. Tirando conclusões absurdas.
Não importa o quanto certo você seja em vida, se a última coisa que você fizer for errada, é disso que eles vão lembrar.
E vejo todos como desenhos inanimados parados nas ruas de suas façanhas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Conclua isso

Não espere que as pessoas se importem com a sua dor, sua insônia, seu desânimo,e a sua loucura.
Eles não irão te entregar heroína pra te livrar da agonia, não vão te fazer um suco de maracuja pra que você tenha sono,não te darão uma porção de sorriso pra arrancar essa cara e muito menos, fenonarbital de sódio pra parar com a sua loucura.
Descobri que talvez não haja explicação pra nenhuma dessas coisas.
Isso simplesmente acontece.
Você só precisa existir como ser social.
Eu não me importo com a sua aparência e com seus desejos mais ocultos, eu só me importo com o fato de que você pode ser a causa dos problemas mais tenros e densos da humanidade.
E é assim que as pessoas seguem. Precisar chegar em algum lugar,e simplesmente não ter um lugar pra se chegar.
Viver maquinalmente, com planilha de orçamento. Faço calculos mentais.
A raça humana é invariável, e como bem disse Budowski, extremamente exagerada: Com seus heróis, Seus Inimigos e sua própia importância. Ninguém é tão importante assim, que mereça tempos de análise profunda. E mesmo assim as pessoas ousam opinar.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Arquivo, por Victor Giudice

No fim de um ano de trabalho, João obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.
João era moço. Aquele era o seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir e agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isso parecia aumentar-lhe a disposição.
Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
Desta vez, a empresa atravessava um período excelente . A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
Novos sorrisos, novos agradecimentos. nova mudança.
Agora João acordava ás cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.
Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordínário aconteceu.
João preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas, não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
Respirou descompassado.
- Seu João. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
João abaixou a cabeça em sinal de modéstia.
- Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
O coração parava.
- Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
- De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias, Contente?
Radiante, João gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
Nesta noite, João não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
Mas uma vez, mudou-se. Finalmente deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.
Chegava em casa ás onze da noite, levantava-se as três da madrugada . Esfarelava-se num trem e dois Ônibus para garantir meia hora de antecedência.
A vida foi passando, com novos prêmios.
A sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
O corpo era um monte de rugas sorridentes.
Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho.
Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:
- Seu joão. O senhor acaba de ter o salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mais nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
- Agradeço tudo o que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria. O chefe não compreendeu:
- Mas seu João, logo agora que o senhor está desassalariado? Porquê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isso? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
A emoção impediu qualquer resposta.
João afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
João transformou-se num arquivo de metal.

" Depois de um tempo, você nota que já estava sendo engolido pelas pessoas primeiro. Mas aí, é tarde demais."

domingo, 6 de fevereiro de 2011

pensar e pensar

Você não precisa gostar da situação, você só precisa pensar.
Quando você pensa, você abre mundos e mundos e infinidades de opções pra escapar de coisas que você não gosta, e até mesmo, criar uma situação pra que algo que você goste aconteça.
Isso na maioria das vezes funciona. Talvez não funcione. Mas se funcionar você terá ganhado absolutamente tudo.
As pessoas não vão reclamar se você quiser fazer uma faculdade de filosofia. Elas não vão ligar se você não se importa com desgraça alheia. Não irão te forçar a ser o útil e o agradável. E vão te deixar desenhar em paz. Pelo menos eu espero que isso aconteça.
Quando você cresce, a magia do pensamento as vezes enjoa de você e vai embora junto com a idade. O que é irritante e gastativo. Porque você procura, mas não encontra. Felizmente ou infelizmente.
Na verdade, você pode tentar descançar, porque talvez, ela volte daqui a algum tempo, e pode ser, que até mesmo, bem mais forte do que antes.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Explicação.

Você só quer sair. Você só quer andar. Você só quer largar o vício. Você só quer admitir que gosta de respirar este ar. Você só quer admitir que gosta das risadas. Você só quer parar de pensar. Você só quer precisar chegar no ponto. Você só quer perder o ponto. Você só quer reecontrá-lo novamente. Você só quer perigo. Você só quer compania. Você só quer estar sozinho. Você só quer compreensão. Você só quer ter fé na humanidade. Você só quer dinheiro. Você só quer amores inexistentes. Você só quer se questionar. Você só quer vê-lo. Mas é bom se privar dos olhares alheios. Da resposta torpe. Dos verbos indecorosos. E continuar tecendo aquela história esfacelada e decrépita. E você é bom na questão de persuasão.
O que pode ralaxar a sua mente, é que um dia alguém poderá explicar os fatos tão meticulosos da sua vida. E eu afirmo isso, porque seria frustrante , estar aqui, trabalhar, pagar as contas, criar filhos, sofrer por algo, e depois não ter nenhuma razão suficiente pra saber que houve motivo pra tudo, e que pode se manter em paz. Você só quer uma explicação

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

quem se importa?

Dormir. Dormir. Dormir. Dormir. Dormir. Dormir mais um pouco. E dormir de novo. Eu ainda não dormi. Não, a verdade não é uma coisa que deve ser encarada de frente. Afinal, isso é frase de agenda. E não, nada pode te ajudar mais em relação ao que deve ser verdade. Seus amigos, Sua família ou até mesmo o horóscopo. Os planetas não estão interessados nos dramas pessoais das pessoas da terra. Tenha certeza disso. E se os planetas não estão interessados, muito menos as pessoas, nas pessoas.
Tanto que, dependendo do teu grau de bom ânimo e paciência, você talvez precise recorrer ao dinheiro, e ao que ele pode comprar. Ele pode te dar alguém pra servir de ouvido pra o que você fala. E isso não torna as pessoas que os fazem, boas e gentis. Torna essas pessoas normais, em busca da única coisa que importa nos dias atuais, que é: dinheiro, reais, dólares, euros, níqueis, cédulas, moedas, mangos e mamom.
Na verdade, nada nem ninguém se importa com a sua e com a minha gravata de problemas e decepções. E isso não é motivo de drama, porque sempre foi assim. A 2000 anos atrás foi assim, e daqui a 2000 anos , será assim. Tudo da mesma maneira. Pessoas morrendo procurando solução, e dando suas vidas pra um resultado que não vai chegar.Portanto,conclua que isso não é o fim do mundo. Bom, pode ser o fim do mundo. Mas quem se importa?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Vórtice de Perspectiva total

As vezes eu crio um humor sádico que satura meu bom senso e minha inteligência.
Um tipo de irritação catódica causada pela minha própia pessoa.
É como ingulir saliva, uma hora você vai sentir um enjôo instável.
Pessoas perplexas se irritam toda hora, com todo tipo de situação.
É como sentir vergonha alheia. Eu acato todo tipo de vergonha alheia.
Daqueles possíveis dramas pessoais dos outros, e você vai inventando maneiras de evitar esse tipo de gente, com essas manias que dão vergonha.
Uma pessoa que faz isso, não tem amigos, e no mínimo, suporta pouco a sua família.
Felizmente, ou infelizmente, eu sou uma delas.
Eu tenho mania de me isolar das coisas e das pessoas, por isso o fracasso na vida social. Eu não sirvo pra aglomerações, e eu vivo em aglomerações.
É como se te colocassem no Vórtice de Perspectiva total.
Você é um pequeno ponto, mediante todas as possíveis e infinitas coisas, objetos e pessoas do universo.
Fatídicamente isso é algo irresoluto.
Porque ninguém desce do seu salto.
Mesmo passando vergonha com sua maneira errada de enchergar as coisas.
Resta suportar, desligar os olhos, se isolar e parar de tentar criar humor sádico, porque afinal, isso não resolve os problemas da sociedade, e muito menos os meus.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

sobre nada

Um silêncio mórbido, e ninguém pra conversar. Sem carros na rua e sem luzes acesas nas casas. Não vejo claridade natural à um pouco mais de 10 dias. Nada que fuja das luzes do computador e da televisão. Odeio escrever em papel, mais comecei a rabiscar algumas frases, e as entitulei de " Coisas pra se saber que um dia possam vir a ser úteis ", uma delas foi sobre a composição de fenonarbital de sódio das injeções letais aplicadas em detentos condenados. São 3:16 da manhã do dia 5 de janeiro de 2011. Só pra registrar. Um outro tópico da lista de coisas pra se saber que um dia possam vir a ser úteis, é sobre Toalhas. Pois segundo O Guia do Mochileiro das Galáxias, o objeto mais útil de um mochileiro interestelar é a toalha. Porque ,você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla, ou então, pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmória de Santágrino V, respirando os inebriantes vapores marítimos, você pode dormir debaixo dela sobre as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon. Nunca se sabe. 
Talvez um dia eu precise dessas informações.
As luzes ainda estão apagadas, os carros ainda não passam na rua. E por pelo menos mais 10 dias eu não terei com quem conversar, talvez até lá, minha lista de coisas já tenha sido completa.