Você espera por algo, que tem uma improbabilidade infinita. Você dorme, acorda, circula por algum lugar da sua casa. Você anda por uma rua, compra um jornal, veste uma roupa estranha. Você lê, toma café, desliga a cafeteira, olha as luzes de natal nas casas.Acha interessante o efeito embaçado que as luzes azuis causam na retina. Sempre nessa constância, esperando o dia em que a improbabilidade infinita talvez aconteça. Da forma mais repentina. Sem aviso prévio. E a proliferação de ideias e pensamentos vão borbulhando no cortex. Você se perde naquela leitura, você tira aquela roupa estranha e coloca uma mais estranha ainda, liga a cafeteira, desvia o olhar das luzes das casas. Você liga a televisão, não tem nada, só uma Guerrinha com uns fuzís e armas, tropas de policias e traficantes num lugar um tanto quanto longe, óbviamente, sendo paulistano frio, isso não te interessa. Você liga o celular, e manda uma mensagem. Lê com dificuldade os e-mails, sua visão está embaçada pela luz catódica emitida pelo visor do computador. Seriamente, você se torna doente, pela maldita da improbabilidade infinita que não acontece. E você só para de esperar quando morre. E nem pode sentir vergonha pelo seu estado, porque afinal, você finalmente empacou na área que o único mal irremediável te concede. Morre sem saber se é possível o revertério das improbabilidades infinitas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.