Tudo fica estranho a Noite.
Tudo é mais traiçoeiro.
As coisas se tornam desformes. Ganhando vida.
Os objetos sentem-se no direito liberto de afugentarem as ideias.
Os sons se potencializam.
A pupila dilata.
O pulso acelera.
Sente-se o limiar da impossibilidade, atravessando o campo invisível.
Entrando na sua perspectiva momentânea.
Pros bem-acompanhados, a Noite é maligna.
Já pros solitários, ela é sorrateira e bem acolhida.
Recepcionada com alento e bom grado.
A Noite e o Bom pensador são bons amigos.
Nessas horas, todo mundo vira poeta.
As palavras são fáceis.
Afinal, a madrugada não os abandona.
De braços dados, se arrastam afim de encontrar repouso.

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